O Brasil que Poucos Conhecem Mascara a Desigualdade Social e Racial

GRAZIELLE ASSIS, Black on trend

Por ter uma quantidade favorável de pessoas negras, muitos caem na ilusão de que o Brasil é um paraíso para o negro, principalmente a Bahia. É engano achar que os negros baianos estão livres das mazelas do preconceito, do racismo e da discriminação.

A Bahia é considerada por muitos a África fora do continente, entrando no ranking brasileiro ocupando a segunda posição de estado com o maior número de negros. Mesmo sendo um estado onde a maioria da população é negra o local de destaque na sociedade ainda é ocupado pela branquidade, um resultado que se deu devido a desigualdade social e a precariedade da educação pública brasileira.

O que se vê não só na Bahia, mas também em todo o Brasil, é a branquidade ocupando grandes cargos enquanto negros continuam lutando para conseguir um lugar digno na sociedade. Isso é comprovado quando se liga a TV e se percebe que apenas duas mulheres negras estão ocupando cargos de destaque na área de jornalismo dentro da maior emissora de comunicação brasileira (Rede Globo) enquanto as outras cadeiras são ocupadas por uma maioria branca.

Questiona-se: Então qual local o negro brasileiro ocupa?

A resposta não é muito satisfatória. Chega a ser revoltante saber que muitos foram retirados de seu berço africano para viverem hoje encarcerados atrás das grades, apertados em barracos nas favelas e morros sendo expostos à criminalidade, ou enterrados num cemitério. Segundo o Jornal Nexo estima-se que o percentual de negros atrás das grades chega a ser maior do que na população; tendo a população brasileira 53% negros e o índice carcerário de 67% de presos na cor preta (Almeida, Mariani, 2017).

Causa indignação saber que o tão chamado de 'paraíso dos negros' não é tão paraíso assim. O Brasil lembra da população negra apenas no feriado de carnaval onde os batuques percorrem as ruas de Salvador e as quadras de escola de samba acompanhando as curvas das mulheres negras que esbanjam ritmo e sensualidade.

Seja na Bahia ou em qualquer outro lugar do Brasil, o negro cresce sabendo que não vive em um paraíso, onde muitos tem que lutar pra conseguir sair vivo da favela e descer para o asfalto. Como se já não fosse o bastante ter que aguentar nos lombos todos os dias as mazelas de uma sociedade racista e meritocrática, os jovens negros se equilibram numa vida exaustiva de estudo e trabalho, muitos ajudando suas famílias e tentando a todo momento se desviar do caminho convidativo das drogas e do crime.

Infelizmente não é um paraíso.

 Milhares de pessoas marcham contra a brutalidade policial da juventude negra e exigem igualdade racial para a população negra do Brasil./ Thousands of people march against police brutality of black youth and to demand racial equality for Brazil's Black population.   Photo source: Mídia Ninja

Milhares de pessoas marcham contra a brutalidade policial da juventude negra e exigem igualdade racial para a população negra do Brasil./ Thousands of people march against police brutality of black youth and to demand racial equality for Brazil's Black population.

Photo source: Mídia Ninja

The brazil that few know masks social and racial inequality

For having a favorable amount of black people, many fall into the illusion that Brazil is a paradise for blacks, especially Bahia. It is a mistake to think that Bahian blacks are free from the ills of prejudice, racism and discrimination.

Bahia is considered by many to be an Africa outside the continent; as it's Brazilian ranking shows, it is the number two state with the largest number of blacks. Even though it is a state in which the majority of the population is black, the place of prominence in society is still occupied by whiteness, a result due to social inequality and the precariousness of Brazilian public education.

What is seen not only in Bahia, but in all of Brazil, is whiteness occupying dominant positions while blacks continue to struggle to achieve a dignified place in society. This is proven when the TV is switched on and only two black women are seen occupying prominent positions in the area of Journalism within the largest Brazilian radio station (Rede Globo), while the other seats are filled by a white majority.

It is asked: So which place does the Afro-Brazilian occupy?

The answer is not very satisfactory. It is revolting to know that many have been taken from their African cradle to live today imprisoned behind bars, squatted in shacks and hills being exposed to crime, or buried in a graveyard. According to the Jornal Nexo, it is estimated that the percentage of blacks behind bars is higher than in the population; with Afro-Brazilians being 53% of the total population and black prisoners accounting for 67% of the total prison population (Almeida, Mariani, 2017).

It is angering to know that the so-called 'black paradise' is not such a paradise after all. Brazil acknowledges the black population only during the carnival holiday, where the batuques (drumming rhythms) pulsate through the streets of Salvador and samba school teams accompany curvaceous black women who exude rhythm and sensuality.

Whether in Bahia or anywhere else in Brazil, blacks grow up knowing that they do not live in a paradise, but where many have to fight to get out of the favela alive and down to the mainstream asphalt. As if it were not enough to have to endure the wrongdoings of a racist and meritocratic society from day to day, young black people are balancing themselves in an exhausting life of study and work; many helping their families and trying every moment to stay clear of drugs and crime.

Unfortunately it is not a paradise.